segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Tai ji qi gong (aka Born Invincible) - 1978

Eis mais um filme coreografado por Yuen Woo Ping, mas desta vez realizado e produzido por Joseph Kuo. A premissa do filme até é interessante, não em termos de argumento, que esse é chapa 4, mas na forma como se vai impondo a figura principal da (e na) trama. Carter Wong, que interpreta o vilão principal, é o verdadeiro protagonista, no entanto o que nos é dado a ver, ao longo do filme, são os planos dos alunos da escola rival (os bons) para o eliminar. Carter Wong quase só nos surge quando é para andar à pancada e, invariavelmente, eliminá-los, um a um. O que é invulgar, o inimigo (aliás, o mau) estar em desvantagem numérica. É claro que existem por lá mais uns 3 indivíduos maléficos, para além de Wong, mas na verdade é só para esbater a tão desnivelada desvantagem (pois aquilo é mais carne para canhão, mais umas cenas coreográficas), pois só ele nos interessa. Só ele aos alunos interessa.

O platinado Wong pratica Chi Kung, mais uma ramificação de kung-fu, técnica que, de tal forma aperfeiçoou, o impede de ser golpeado das mais diversas formas nas mais diversas zonas. Nada o perfura, nada o arranha, nada lhe faz nódoas negras. Só tem um ponto fraco, a garganta, que ele usa para libertar as suas “intimidantes” gargalhadas. O que é certo é que cada aluno da escola rival vai sendo por ele aniquilado sem apelo nem agravo. Até ao combate final. Carter “The Born Invincible” Wong é derrotado pelo aluno mais aplicado (Jack Long) mas não excepcional (como se o João Moutinho conseguisse derrotar o Cristiano Ronaldo.) Excepcional era a técnica Chi Kung de Wong, essa sim. Garanto-vos que era, nunca viram nada assim, merecedora de todas as letras da ainda singela palavra que escolhi para a adjectivar, excepcional.

Dito isto convém esclarecer que não é um grande filme… vê-se bem. O Yuen Woo Ping, pareceu-me não estar especialmente inspirado, mas o combate final é o combate final. Pareceu-me também que Joseph Kuo não tem muito talento para filmar aquelas coreografias (se imitasse os mestres, ninguém o levaria a mal), porque quanto ao resto não se lhe exigiria muito. Em abono da verdade diga-se que vi uma cópia truncada do filme, o que faz com que não o tenha visto na sua totalidade. O maior dos trunfos contudo vai para a soberba caracterização de Wong (que em versão dobrada, sim ouvi-o em inglês, perde algum impacto.)

4 comentários:

The movie_man disse...

Épa, isso parece ter bom aspecto, sim senhor. Neste momento, acabei de descobrir O último Rei da Escócia. Nada de extraordinário, apenas a interpretação do oscarizado. Continua a presentear-nos com estas pequenas grandes pérolas, jovem.

JoÃoP disse...

Como é que vai isso? Yah, eu também não curti muito o Último Rei, e apesar do Whitaker ser um dos maiores actores actuais acho que no filme vai em descontrolado overacting. Mas mais vale terem lhe dado o Oscar agora que nunca.

Pedr0 disse...

Este ainda não vi mas se for como o 7 Grandmasters é porrada de criar bicho do mais alto nível...

JoÃoP disse...

Pedro nunca vi o 7 Grandmasters, no entanto aconselho-te a ver isto. Não é excelente mas não é mau de todo.