sábado, 25 de agosto de 2007

Gekitotsu! Satsujin-Ken (aka Street Fighter) – 1974

Aqui está um tremendo action movie. Shinichi “Sonny” Chiba atingiu com este filme, ou com esta série de filmes (pois há duas, outras fontes dizem três, sequelas), o estatuto icónico de action star além fronteiras. E, em boa verdade, nada deve às actions stars criadas à época nos states. Takuma Tsurugi é um caçador de recompensas na Tóquio de 1974. Rapta pessoas (além doutros delitos), sob ordens alheias, em busca de elevados dinheiros. Certo dia ele, numa proposta de rapto, descobre que os que o procuram são membros da máfia local, yakusas. Como misantropo que é (um animal não se dá bem com organizações) recusa tal serviço e submete-se a proteger a moça (herdeira duma enorme fortuna) por eles procurada, até porque a escumalha yakusa também o quer eliminar, visto ele já saber da tramóia. Tarefa difícil esta onde se meteu, pois terá que enfrentar uma espécie de Zatoichi (figura mítica da ficção popular japonesa – a meu ver esta personagem não está displicentemente inserida na intriga, pois é necessário eliminar os ícones para exacerbar o misantropismo do animal). Terá também que eliminar um arqui-inimigo que jurou vingar a morte do seu irmão e a venda da sua irmã ao mercado prostituível da cidade (tudo esforços, e consequências, dos actos de Tsurugi.)

A condução da intriga é feita de forma excitante e todas as personagens são muito boas, no entanto, inevitavelmente, quem luz aqui é Chiba, e é oiro. A sua forma de luta animalesca (que, numa excelente cena de combate, não lhe serve para derrotar o “branco” mestre de karaté) parece sem coreografia, o que leva a exterminar adversários da forma mais escabrosa possível, sem piedade – sim aqui há gore (gargantas e culhões são órgãos que lhe vêm parar à mão.)

Pode isto tudo ser visto como uma espécie de Dirty Harry, caso a personagem não usasse uma Magnum .44 e soubesse de porrada da grossa, e o filme não tivesse sido feito em Hollywood com o fundo politico-social preciso. Por estas e por outras encaixa-se Street Fighter, e bem, no baú dos exploitations, o que para muitos é local de procura de filmes excitantes e desviantes.

Agora que venham ambas (as três?) sequelas que segundo este, este e este sítio não são muito famosas, mas só pelas poses, pouco ortodoxas, e os gemidos exalados de Chiba a coisa torna-se (até ver) indispensável.

5 comentários:

Pedr0 disse...

Este filme soa-me bem. E porque no texto foi referido Zatoichi, existe um filme com esse nome do Takeshi Kitano que recomendo. Ja agora, ando atrás do dvd de um fime de seu nome "The Twilight Samurai" (A Sombra do Samurai) de Yôji Yamada. Caso ja o tenhas visto, dá-me a conhecer a tua opinião..

Cumprimentos

JoÃoP disse...

Oi Pedro. The Twilight Samurai é um excelente filme de samurais, mas um pouco atípico por não romantizar aquele modo de vida. Em vários artigos, aquando da sua estreia nas nossas salas, falou-se que o filme estaria para o género de samurais, como o Unforgiven, do Eastwood, estaria para o western. E concordo bastante com isso: é um filme crepuscular sobre o fim de uma época e de um modo de vida, que não querendo mitificar a coisa acaba, pelo respeito ao género, a mitificá-la.
Sobre o filme do Kitano concordo, pois sou imparcialíssimo em relação aos seus filmes, não sendo, apesar de tudo, o melhor dele.
Cumprimentos

The movie_man disse...

Hoje vou ver The Street Fighter, com Sonny Chiba. E depois...

JoÃoP disse...

"E depois..." conta aqui as tuas impressões. Tenho a certeza que vais gostar disso. It's some divinal good shit.

The movie_man disse...

Já vi este The Street Fighter. É um autêntico Dirty Harry asiático, mas em vez da Magnum 44, são as mãos. O homem se trabalhasse num talho, tinha carne para dar e vender. Muito, muito bom.Estou ansioso pelo segundo, que irei ver esta noite, apesar de já estar ciente que é inferior. Sonny Chiba está fantástico. Deixei algo no meu blog sobre o filme.