
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Rock Soup – 1991
La Plaza, no coração de Nova Iorque, acolhe um enorme número de indivíduos que não têm onde se abrigar. É um local que sobrevive com o suor dos próprios sem-abrigo, alheio a ajudas do Estado ou de qualquer outra entidade. Está situado no Lower East Side e está a ser alvo de profundas alterações por parte da câmara nova-iorquina. Na primeira parte do documentário acompanhamos o “dia-a-dia” daquele pessoal, que se sente confortável ali (afinal aquilo é a única família que têm). A segunda parte é dedicada à contestação, em assembleia, entre os sem-abrigo, os membros camarários e os velhos da zona. A câmara nova-iorque pretende eliminar o centro La Plaza para que ali possa construir uns imóveis para "entregar" a inválidos e reformados sem grandes recursos. A discussão acende-se e, de parte a parte, os argumentos são pertinentes e as consequências alarmantes (independentemente qual seja o “vencedor” do despique). Hoje, sabemos, o La Plaza não existe.

Zidane, un portrait du 21e siècle – 2005
Este é um dos filmes mais singulares a estrear cá na Lusitânia. E devo dizer que gostei muito da experiência. É daqueles filmes que divide o povo. Uns dizem que não é cinema outros dizem aos outros para irem lavar o chulé dos pés… Não pretendo entrar nessa discussão, pois nunca me ensinaram os limites do que quer que seja, só sei os limites do meu corpo (e é quando é membro não está erecto senão tenho de usar binóculos, outro dirão que é microscópio…) E como o nome do meu blogue é sem critério logo posso já lavar as mãos (apesar de na nota introdutória falar em “mais um blogue de cinema”).Prosseguindo…
Achei Zidane um filme estupendo (ok, sou fãzérrimo de Zidane, tão bom quanto ele só conheci o Van Basten, os outros génios são imagens de arquivo, que a mim, de certa forma, os dissocia do futebol como jogo). 17 câmaras apontadas a Zinedine Zidane acompanham-no durante um jogo, do seu então Real Madrid, contra o Villareal, captando os seus movimentos, a sua respiração, as hesitações, etc. Parece até que Zidane não está num jogo de futebol. Douglas Gordon e Philippe Parreno são os homens responsáveis por este exercício abstracto sobre o homem, Zidane, e sobre o jogo de futebol. Douglas Gordon, aliás, parece que já tinha explorado esta ideia num outro projecto seu, acompanhando um maestro “só” perante a banda. E segundo consta num comentário no imdb uma experiência semelhante já teria sido feita com George Best, outro jogador da bola (ao leme do projecto estariam outras pessoas, e teriam menos meios, certamente). Desconheço um e outro, portanto esta experiência é nova para mim. Zidane é o maestro, perante a banda de desafinados (que foram os auto-nomeados inter-galácticos), só e angustiado (ou será concentrado?) deixa-nos no final a sós, dentro do relvado, após a sua expulsão.
Lisboa dentro – 2007
Este filme de Muriel Jaquerod e Eduardo Saraiva Pereira, exibido com o Arquitectura de peso (e beneficiaram os dois com a junção), carrega no tom dramático. Acompanhamos diversos grupos de avaliadores e juízes da Câmara Municipal de Lisboa a diferentes casas da capital para avaliar a situação dos imóveis e dos seus habitantes. Vemos diferentes casas, dos estratos sociais correspondentes, e os dramas que aquela casa encerra. Há casas verdadeiramente assustadoras, e, consequentemente, dramas e vidas “assustadoras” (o nó na garganta surge várias vezes). A Lisboa velha é para mim um aspecto romântico da cidade, para outros é o pesadelo de uma vida.
Arquitectura de peso – 2007
Eu gosto das explorações visuais e sonoras do Edgar Pêra enquanto as vejo na tela. Quando saio do cinema vem-me sempre aquela sensação ‘what’s the point?’ Portanto os filmes do Edgar Pêra são geralmente momentos bem passados e pouco mais. Este Arquitectura de peso parece sofrer o mesmo estigma. Nel Monteiro (cantor popular, assumidamente popularucho) foi convidado por Edgar Pêra (que por sua vez foi convidado pela Trienal de Arquitectura de Lisboa para fazer este filme) para comentar sobre algumas obras arquitectónicas lisboetas (Centro Cultural de Belém, Expo) e não só (os estádios de Euro 2004, Casa da Música). Nel Monteiro, no seu estilo portugó-castiço, fala e canta e casca por cima das imagens dos mamarrachos arquitectónicos que, por sua vez, têm em si projectadas imagens de arquivo que anunciam derrapagens orçamentais, e outras calamidades, que levaram à sua concretização. Como tudo em que Edgar Pêra toca, é um exercício assumidamente pop(ularucho), bem dispostos, não deixando de espetar as suas bandarilhas nos dorsos dos políticos e despertar a gargalhada na assembleia que assiste ao filme. Especialmente quando se vê a deformação da cabeça do ex-ministro António Vitorino na imagem projectada na pala de Siza Vieira no Parque das Nações.
Winners and losers - 2007
Final do mundial de futebol de 2006, Itália e França. Lech Kowalski, levado pelo entusiasmo francês que se instalava nas ruas parisienses quando jogava a selecção gaulesa, predispôs-se a filmar um conjunto de reacções de adeptos, fanáticos e lunáticos pelo futebol, italianos e franceses. Teve à sua disposição uma dezena de câmaras que as distribuiu entre França e Itália. Umas colocadas por detrás dos televisores que transmitem a partida, outras ao ombro em diversos locais, incluindo recintos onde se aglomeram centenas de adeptos que assistem à partida em ecrãs gigantes. Cada câmara colocada em França tem, de certa forma, uma simétrica colocada em Itália, ou seja, há uma câmara num café francês outra num café italiano, outra filma uma família francesa outra filma uma família italiana, etc.
Isto deu num retrato sobre os adeptos de futebol enquanto espectadores televisivos (e sobre nós, claro está, como se diz na pequena sinopse do programa do DocLisboa). Nunca mostrando a partida em causa, Kowalski monta o seu material fugindo um pouco ao momento de euforia e da tristeza que um golo provoca, interessa-lhe mais os momentos “mortos” (até porque o jogo não foi nada de especial) onde se instala o cansaço do espectador e que despoleta nele os comentários racistas, xenófobos e outros, de outra ordem. Mas há um momento especialmente interessante, como se lembrarão Zidane agrediu Materazzi na partida, e ver expressões dos rostos de ambos os lados é muito interessante. Os italianos não querem outra coisa que não o cartão vermelho (há aqueles que pressentem algo de mais desesperado na atitude de Zidane) e os franceses não acreditam... como pôde Zidane afundar a embarcação...
Isto deu num retrato sobre os adeptos de futebol enquanto espectadores televisivos (e sobre nós, claro está, como se diz na pequena sinopse do programa do DocLisboa). Nunca mostrando a partida em causa, Kowalski monta o seu material fugindo um pouco ao momento de euforia e da tristeza que um golo provoca, interessa-lhe mais os momentos “mortos” (até porque o jogo não foi nada de especial) onde se instala o cansaço do espectador e que despoleta nele os comentários racistas, xenófobos e outros, de outra ordem. Mas há um momento especialmente interessante, como se lembrarão Zidane agrediu Materazzi na partida, e ver expressões dos rostos de ambos os lados é muito interessante. Os italianos não querem outra coisa que não o cartão vermelho (há aqueles que pressentem algo de mais desesperado na atitude de Zidane) e os franceses não acreditam... como pôde Zidane afundar a embarcação...

Le papier ne peut pas envelopper la braise – 2006
Rithy Pahn é um dos nomes mais conceituados do documentário actual, mas a desilusão foi enorme quando assisti ao seu Les Artistes du Théâtre Brûlé, na edição de 2005 do DocLisboa. Portanto para este Le papier fui com algumas reservas, mas com a esperança de que a sua fama se deve-se a alguma coisa.Rithy Pahn filmou aqui um conjunto de prostitutas cambodjanas, num prédio na capital Phnom Pehn, que andam naquela vida porque é o melhor sustento para a classe baixa naquele país. Os pais entregam-nas aos chulos (ok, “empresários”) da capital, é lá que param o maior número de turistas, para que elas sustentem a família. Mas, diga-se, que as mães delas também passaram pelo mesmo, ou seja, aquilo, como todas a ratoeiras da pobreza, não passa de um ciclo vicioso.
Rithy Pahn filma-as sempre ao nível dos olhos (como os clássicos americanos) e isto implica que a câmara esteja muito próxima do chão porque elas, geralmente, são-nos apresentadas ajoelhadas, sentadas, deitadas. Drogam-se, comem, discutem, choram no chão, só se levantam quando a noite cai e o trabalho as chama. A cena das cenas é aquela em que cada uma delas beija, com batom, uma parede do prédio.
O único ponto fraco do filme tem a ver com a proximidade da câmara aos seus rostos que lhes provoca "natural" actuação. Não contesto que as memórias e os confrontos delas e entre elas sejam verdadeiros, mas a câmara demasiado próxima, muitas das vezes (nem sempre), retira genuidade à coisa.
Tirando isso o retrato é impiedoso e amoral. Se lá virmos piedade e moral é porque temos a cabeça cheia de ideias feitas e preconceitos que, claro, são os principais responsáveis para que elas ainda lá estejam.
He Fengming – 2007
Wang Bing, segundo consta, fez um dos mais prodigiosos filmes recentes West of the Tracks. Ainda não o vi, mas garanto-vos que quando surgir essa possibilidade é com toda a expectativa que lhe entregarei nove horas da minha vida. Este He Fengming tem um terço da duração daquele monumento, ou seja, são três horas. Três horas ocupadas, quase totalmente, com a senhora He Fengming a divagar sobre a sua memória num tempo conturbado do império chinês. O filme é basicamente isto, variam somente as escalas de plano sobre a senhora e pouco mais. E isto torna-o fascinante porque a senhora He Fengming tem de facto uma história incrível para contar, e conta-a de forma extremamente lúcida e detalhada. É uma história épica que se nos vai compondo na cabeça como se fosse um filme de David Lean ou um Lord of the rings, sem os orcs. Wang Bing fez o filme como uma antítese a esse cinema espectáculo. Aquilo é uma memória pessoal partilhável só pela palavra e não pela imagem. Então para quê filmá-la? Para que sintamos, e vejamos, as memórias a brotarem dela, dos seus olhos, da sua boca, das suas mãos, para que vejamos a noite a cair e a escurecer a sala. Para que nos apercebamos que um Doutro Zhivago, por exemplo, nasce de uma pessoa, de uma memória de uma vida.
Em tempos a cinemateca passou um ciclo chamado os filmes-rio (adoro este conceito), ou seja, filmes enormes, de horas, que têm de ter a fluidez exacta para que aquilo resulte. Têm que se ir instalando em nós. Este He Fengming é um excelente exemplo de filme-rio (daqueles que de tanto baterem na pedra dura, os épicos hollywoodescos, acabam por erodi-la).
Em tempos a cinemateca passou um ciclo chamado os filmes-rio (adoro este conceito), ou seja, filmes enormes, de horas, que têm de ter a fluidez exacta para que aquilo resulte. Têm que se ir instalando em nós. Este He Fengming é um excelente exemplo de filme-rio (daqueles que de tanto baterem na pedra dura, os épicos hollywoodescos, acabam por erodi-la).

A walk into the sea: Danny Williams and the Warhol Factory – 2007
Danny Williams foi um dos vários membros da família Andy Warhol e, segundo alguns, seu amante, que acabou por desaparecer (até hoje não se sabe do seu paradeiro) após um jantar de família em que pegou no carro e se guiou em direcção ao mar. Como o mito nos diz, Warhol tinha o condão de se saber rodear dos mais estranhos e desequilibrados personagens de Nova Iorque e arredores. É muito por causa desse imenso fascínio por Warhol que, invariavelmente, qualquer realizador que aborde uma das pessoas que com ele trabalhou acaba por ser sugado pelo “buraco negro”. Esther Robinson, sobrinha de Danny Williams, não lhe escapa, é certo que tenta erguer a imagem do seu tio das cinzas do esquecimento mas os óculos escuros de Warhol (e a sua fealdade sem eles) são mais fortes.O filme é maioritariamente composto por depoimentos da família de Williams, no interior rural dos EUA, e membros sobreviventes do carrossel Factory de Warhol, na urbaníssima Nova Iorque, intercalados com imagens filmadas a preto e branco por Danny Williams. As memórias da pandilha Factory sobre Danny são várias, uns dizem que nunca o viram pegar numa câmara de filmar outros que ele tinha um imenso potencial como realizador, etc. Uma coisa é certa, ele era o gajo da iluminação das produções da Factory, e o principal compositor visual do espectáculo dos Velvet Underground Exploding Plastic Inevitabel (e isto para mim já merece um memorial).
Mas o que restam das imagens por ele filmadas e iluminadas (os contrastes do preto e branco são, de facto, muito bem conseguidos), julgo, são escassas para que sejam marcantes mas, de facto, há um momento arrebatador, que a Esther Robinson usa para concluir o filme, Harold Stevenson e outro homem, loiro (desculpem-me não me recordar do nome), num momento de felicidade, em câmara lenta no contrastado preto (moreno) e branco (loiro), servem como projecção da felicidade romântica então vivida entre Williams e Warhol.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
East of paradise – 2006
Este ano o DocLisboa dedica uma retrospectiva (não integral) a Lech Kowalski, em tempos realizador underground nova-iorquino, agora residente em França, “militante” documentarista. Como todos os seus filmes, segundo consta e segundo o próprio, East of Paradise, que ganhou um prémio especial em Veneza, é um objecto tirado às suas entranhas e, neste caso, também às da sua mãe. A primeira parte do filme é dedicada exclusivamente a ela que, na primeira pessoa, relata as suas memórias traumáticas de sobrevivente, nos campos de concentração polacos, aquando da invasão nazi à sua nação. A câmara raramente se afasta do seu rosto (há por lá uns planos de tectos e paredes dispensáveis, penso eu) enquanto ela expurga os seus demónios, as suas memórias, os seus fantasmas. Sorri de quando em vez (há sempre memórias boas dentro daquele turbilhão, graças a Deus à selectividade), chora bastantes vezes mas relata-nos sempre de forma precisa e minuciosa aquela ocupação, não de um ponto de vista histórico-político (mas no fundo acaba por sê-lo), mas sim do ponto de vista pessoal e afectivo.Na segunda parte do filme (há uma cisão brusca nele) é-nos mostrada a vivência (ou, lá está, a memória dessa vivência) de Kowalski em Nova Iorque. Estabelecendo um paralelo (talvez etário) entre as vivências da sua mãe com as dele, Kowalski, narrando sobre material de arquivo por si filmado, relembra os tempos de estudante de cinema, a invasão punk britânica (Kowalski fez um dos mais famosos documentários sobre a chegada dos Sex Pistols à América em D.O.A. – Dead on arrival), a sujidade das ruas, os freaks, os junkies, a pornografia, ou seja, lembra-se e mitifica Nova Iorque. Recorda-se também da morte de John Spangler, seu amigo, figura icónica desse underground, infectado com HIV, filmando-o na sua morte, no seu padecimento, e na sua vitalidade.
O mais fascinante no filme tem a ver com o paralelismo estabelecido entre duas gerações e a relação que elas estabelecem com a sua memória. A mãe de Kowalski só através da selectividade da sua memória se pode lembrar e comover(-nos) com o seu passado (as imagens de arquivo que existirão sobre a ocupação serão demasiado impessoais). Lech Kowalski para além dessa selectividade da sua memória tem também o seu material fílmico (que também é selectivo porque, na verdade, tudo é uma selecção quando alguém se predispõe a gravar o que quer que seja). Lech Kowalski aliando essas duas formas de memória torna a sua memória num híbrido, o material “objectivo” filmado é contaminado pela “subjectividade” da sua memória real… ou “orgânica”.
A cena final do filme, e principalmente o último plano, é magnífica. A mãe de Lech Kowalski fotografa-o, assim como a sua câmara (e ao seu colega de iluminação), enquanto este a filma. As fotografias tiradas por ela vão então surgindo, intercalando o material filmado por ele. No último plano ele, pondo-se ao lado da mãe (ou seja, ambos captados pela câmara de filmar), tira uma foto à câmara e o que fica é a imagem estática do que a câmara está a filmar (Lech e a sua mãe) e não o que a máquina fotográfica realmente captou. Confuso, não?… melhor: o último plano é uma imagem estática de Lech e da sua mãe captados pela câmara de filmar, como se o clique da máquina fotográfica captasse e congelasse o que a câmara de filmar capta. Como se a memória fotográfica, por momentos, equivale-se à memória fílmica… realçando mais ainda que ambas ganham uma nova dimensão quando confrontadas com a memória “orgânica” que, por fim, as organiza.
A cena final do filme, e principalmente o último plano, é magnífica. A mãe de Lech Kowalski fotografa-o, assim como a sua câmara (e ao seu colega de iluminação), enquanto este a filma. As fotografias tiradas por ela vão então surgindo, intercalando o material filmado por ele. No último plano ele, pondo-se ao lado da mãe (ou seja, ambos captados pela câmara de filmar), tira uma foto à câmara e o que fica é a imagem estática do que a câmara está a filmar (Lech e a sua mãe) e não o que a máquina fotográfica realmente captou. Confuso, não?… melhor: o último plano é uma imagem estática de Lech e da sua mãe captados pela câmara de filmar, como se o clique da máquina fotográfica captasse e congelasse o que a câmara de filmar capta. Como se a memória fotográfica, por momentos, equivale-se à memória fílmica… realçando mais ainda que ambas ganham uma nova dimensão quando confrontadas com a memória “orgânica” que, por fim, as organiza.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
RRRrrrr!!! – 2004
Non sense mais non sense mais non sense com a falta de elegância incaracterística de um francês. Alain Chabat, realizador e actor, deve venerar os Monty Python e portanto, como bom discípulo, segue os seus ensinamentos que são: nenhuns. Tudo existe num universo sem sentido, até o próprio filme, e como tal nada deve fazer sentido. Nem o fim, nem o meio, nem o princípio devem corresponder a um mínimo de lógica (não necessariamente por esta ordem, como Godard não diria mas filmaria.) É certo que no final a satisfação de o ter visto não é tão grande como aquela sentida após se assistir a um filme da pandilha Python, mas não desmerece o reconhecimento. Deixai Chabat aperfeiçoar a máquina e a quinquilharia que no futuro teremos alguns filmes mais que interessantes.Lembro-me de Chabat no famoso, e sobrevalorizado, Le gôut dês autres com uma actuação minimalista. Neste também anda pelo mesmo registo, o filme à volta dele é que anda todo histérico, e a certa altura lembrei-me de um Takeshi Kitano ou de um Buster Keaton num filme dos Monthy Python… é exagero meu esta extrapolação... ok, deixem-no aperfeiçoar as técnicas pythonescas e depois logo pensemos noutros horizontes.
A história do filme é mais ou menos assim: num tempo pré-histórico (faz sentido o absurdo, não sabiam contar histórias), numa povoação onde todos se chamam Pierre, ocorre um assassinato que desencadeia uma investigação levada a cabo pelos nativos. A isto junte-se uma rivalidade entre povoações, a que tem o segredo do champô e a que não tem, e já está. O resto são piadas atrás de piadas, non sense atrás de non sense, e no final partimos para outra.
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