segunda-feira, 13 de agosto de 2007

The Undertaker and his Pals – 1966


Em 1963 Herschell Gordon Lewis abriu-nos as portas ao maravilhoso mundo gore. Mas, como todos sabemos, quem abre uma porta geralmente traz consigo uma aragem, caca nos sapatos, companhias indesejáveis, etc. Quero com isto dizer que os pioneiros distraidamente trazem sempre algo com eles quando descobrem/inventam alguma coisa. Ora bem, depois do festim de sangue de Lewis vieram outros moços brincar às casinhas. E serão sempre bem vindos, no que a mim diz respeito. T.L.P. Swicegood pôs mãos à obra (e no picador de carne também) e serviu-nos de bandeja este seu The undertaker and his pals. E isto faz rir.


Três motociclistas, um deles é o undertaker, andam a chacinar moças pela cidade para assim sustentarem os seus negócios, o funerário e o alimentar (sim, os outros dois têm um restaurante, e lá servem as mais preciosas iguarias.) É isto basicamente e o suficiente, que o resto é palha. Minto. Falta a piéce de resistance que é o final, em que musicalmente todos ressuscitam para nos agradecer. Simpáticos.


Parece que aqui conseguem entrar todos os belos adjectivos que podem vir acoplados a um filme, foleiro, kitsch, baratuxo, etc. Esperem grandes questões ideológicas, diálogos metafísicos, épicos combates, mas esperem sentados e se este for o primeiro de uma sessão dupla com um outro qualquer filme (não importa qual) mais decente. É uma maravilha é o que vos digo. E com moças bem giras. (0.1/10)


Não ficaram contentes?... para outro sítio mais esclarecido?
Ahh, há um trailer no youtube.

Jing Mo Ying Hung (aka Fist of Legend) - 1994


Gordon Chan em 1994 lançou este filme, remake de Fist of Fury com Bruce Lee. Não se limitando a copiá-lo, fez sim um filme que pouco ou nada deve à sua origem cinematográfica (já que ambas as histórias têm o mesmo fundo histórico preciso.) Após a morte do seu mestre num combate, Chen Zhen (Jet Li), volta ao seu país e à sua cidade (Xangai) para o vingar. Descobre que ele fora envenenado antes do combate com um mestre samurai. Numa altura em que o império japonês se arrastava pela parte oriental do continente asiático, nesta história se encontra uma forte metáfora para melhor explicar essa situação. Será que a entrada japonesa não se deveu a um pré-envenenamento do estado chinês? Como é que um pequeno país como o Japão, ainda que com uma frota militar importante, conseguiu penetrar no elefante asiático? É certo que eu de geo-políticas, e afins, muito desconheço (até um dia, espero) mas julgo que a metáfora não é displicente.
Após a descoberta do envenenamento, Zhen terá que se confrontar com o tal mestre samurai, assim como terá que enfrentar o melhor aluno do seu mestre, que ficara na China, para decidir quem ficará encarregue da escola. Terá que depois abdicar da escola pelo amor a Mitsuko Yamada (Nakayama Shinobu), que por ser japonesa não é vista com bons olhos. Por fim terá que encarar o poderoso General Fujita (Billy Chow), déspota encarregue do controle sobre as milícias japonesas em Xangai.
Ficamos então com um excelente filme de época de artes marciais, que volta a opor o modo japonês ao modo chinês, com as coreografias a cargo de Yuen Woo Ping (que elogios já lhe bastam) e o estilo espectacular do melhor Jet Li.Para esclarecimentos decentes linko-vos ao sítio do sempre esclarecido Luís Canau.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Long Zhi Ren Zhe (aka Ninja in the Dragon's Den) – 1982


E que tal juntarmos estilos marciais chineses e japoneses? Devem-se ter interrogado eles. E para nossa satisfação a resposta deve ter sido um “ok, façam-no mas vejam lá se não os fazem perder dinheiro com isso”.
Foram buscar Corey Yuen Kwai, já então famoso assistente de realização e coreógrafo de lutas, e também lutador/actor, para se estrear como realizador (hoje ele anda pelo ocidente a fazer coisas tão memoráveis como aquele filme cheio de chicks, D.O.A.) E fizeram muito bem. Pois saiu-lhe um óptimo filme de kung-fu com ninjitsu. A história é simplicíssima um gabarolas lutador chinês (Conan Lee) tem um tio japonês, que lhe é muito querido, e que em tempos foi ninja. Certo dia esse tio é perseguido por um jovem ninja (Hiroyuki Sanada) que se quer vingar da morte do seu pai, pois pensa que ele, o tio, esteve envolvido na tramóia. Não foi assim. O tio também fora envolvido na tramóia, e viu o seu melhor amigo, o pai do outro, morrer em combate. Resumindo: o sobrinho do tio ex-ninja tenta protegê-lo do jovem ninja. Há por lá outros lutadores para encher história, e um cómico sidekick viciado em pornografia (sem grande piada). Fiquemos então com as excelentes coreografias de luta, especialmente, as que envolvem Conan Lee e Hiroyuki Sanada, que são longas e do melhor que anda por aí. E não esqueçamos também o memorável final que envolve nice japonese tits e um efeito especial manhoso.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Fathom - 1967

Após a explosão de James Bond no grande ecrã os estúdios de Hollywood, e um pouco por todo o mundo (onde houvesse dinheiro a gastar), resolveram explorar o filão dos filmes de espionagem. Fathom é um deles, com Raquel Welch como heroína de serviço. A história gira em torno de três marmanjos, que pretendem usurpar um artefacto chinês (firedragon) que contém o dispositivo para accionar a H-BOMB, e o guarda-roupa de Fathom (que na verdade é o verdadeiro firedragon da história, para mim.)

Que há a dizer mais sobre isto? Personagens bizarras, sotaques manhosos, cores berrantes (já nem os Bonds nos surgem assim), idílico sul de Espanha, touros enraivecidos, pára-quedismo (ah! convém referir, não quero que vão ao engano, que Fathom não é uma super-espia, é somente uma pára-quedista que se meteu num imbróglio, um pouco à imagem de Welch que aqui não é uma boa actriz, somente um mulherão que se meteu num imbróglio, e daí o seu génio), barcos a motor, avionetas, carros (e os respectivos fundos sobrepostos, claro), arpões, devices, banda sonora à lá Henry Mancini (e isto é dizer muito), roupa molhada (ok, já tinha escrito devices), etc. Não vos consegui convencer com isto? Ok… e com isto?…

Raquel Welch

































…já se convenceram?

Exactamente o cabelo dela é maravilhoso.

Lee Hazlewood

1929-2007

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Tai ji qi gong (aka Born Invincible) - 1978

Eis mais um filme coreografado por Yuen Woo Ping, mas desta vez realizado e produzido por Joseph Kuo. A premissa do filme até é interessante, não em termos de argumento, que esse é chapa 4, mas na forma como se vai impondo a figura principal da (e na) trama. Carter Wong, que interpreta o vilão principal, é o verdadeiro protagonista, no entanto o que nos é dado a ver, ao longo do filme, são os planos dos alunos da escola rival (os bons) para o eliminar. Carter Wong quase só nos surge quando é para andar à pancada e, invariavelmente, eliminá-los, um a um. O que é invulgar, o inimigo (aliás, o mau) estar em desvantagem numérica. É claro que existem por lá mais uns 3 indivíduos maléficos, para além de Wong, mas na verdade é só para esbater a tão desnivelada desvantagem (pois aquilo é mais carne para canhão, mais umas cenas coreográficas), pois só ele nos interessa. Só ele aos alunos interessa.

O platinado Wong pratica Chi Kung, mais uma ramificação de kung-fu, técnica que, de tal forma aperfeiçoou, o impede de ser golpeado das mais diversas formas nas mais diversas zonas. Nada o perfura, nada o arranha, nada lhe faz nódoas negras. Só tem um ponto fraco, a garganta, que ele usa para libertar as suas “intimidantes” gargalhadas. O que é certo é que cada aluno da escola rival vai sendo por ele aniquilado sem apelo nem agravo. Até ao combate final. Carter “The Born Invincible” Wong é derrotado pelo aluno mais aplicado (Jack Long) mas não excepcional (como se o João Moutinho conseguisse derrotar o Cristiano Ronaldo.) Excepcional era a técnica Chi Kung de Wong, essa sim. Garanto-vos que era, nunca viram nada assim, merecedora de todas as letras da ainda singela palavra que escolhi para a adjectivar, excepcional.

Dito isto convém esclarecer que não é um grande filme… vê-se bem. O Yuen Woo Ping, pareceu-me não estar especialmente inspirado, mas o combate final é o combate final. Pareceu-me também que Joseph Kuo não tem muito talento para filmar aquelas coreografias (se imitasse os mestres, ninguém o levaria a mal), porque quanto ao resto não se lhe exigiria muito. Em abono da verdade diga-se que vi uma cópia truncada do filme, o que faz com que não o tenha visto na sua totalidade. O maior dos trunfos contudo vai para a soberba caracterização de Wong (que em versão dobrada, sim ouvi-o em inglês, perde algum impacto.)

sábado, 4 de agosto de 2007

Loretta Lynn

Van Lear Rose


Só hoje descobri este álbum, que já data de 2004... mas mais vale tarde que nunca. Loretta Lynn foi uma das mais distintas country ladies nos idos 70's. Nos 80's a sua popularidade fora dos meios nashvilleanos desapareceu. Após um longo hiato volta com Still Country em 2000 (coisa que ainda não ouvi), e em 2004 lança este petardo.
É daqueles álbuns que, de tal forma genuínos, até causam arrepios.

Segundo os dados que li pela net esta senhora não teve vida fácil, pelo menos em termos familiares, mas nunca abdicou da sua união matrimonial. O que, confesso, é coisa que admiro imenso.

“He never hit me one time that I didn’t hit him back twice”

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Messe Noir - 19??

Só dedico umas palavrinhas a este filme infame porque tem este enquadramento muito bom.

E este bonitinho...

E mais uma vez a imaculada será entregue a Lúcifer, e aos seus prazeres carnais, humanamente carnais, digo eu...

É um daqueles pequenos filmes pornográficos (uma bobine) que envolve satanismo. Apontam-no como tendo sido feito algures nos anos 20, e como tal a maneira de se encarar a sexualidade era totalmente diferente, encaravam-na pudicamente (em certos e determinados sítios, claro! noutros é o que se vê…) O que consequentemente fazia com que a abordassem de forma essencialmente religiosa (para o bem ou para o mal, literalmente).
Como era de somente 5 minutos, e o estado da película gravada era mau (razão de algum do meu fascínio), decidi vê-lo.

Nada de mais, envolve cenas sexualmente explícitas, um Lúcifer humanamente bem caracterizado, e, para além dos outros dois bem bonitinhos, um enquadramento bem foleiro, este:

Que só com algum sentido de humor o consigo digerir.

E pronto lá dou eu mais um passo para a minha degradação mental...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

...ainda sob o signo dos fantasmas...

É preciso de quando em vez matar os fantasmas que por aqui pululam.


Ide de retro.

Só alguns fotogramas à frente (ainda o Ghost of Kasane) é que nos apercebemos... para que esses espectros se dissipem é preciso que nós percamos a consciência.
Ora bem, eu ainda não quero perder a consciência (inicialmente porque me irei aventurar pelos curvilíneos filmes de Andy Sidaris, será que o fantasma do Russ Meyer ainda assalta consciências?) Assim sendo terei que me aguentar a viver rodeado de phantasmagorias, e uma das maiores é Bergman. Chamam-lhe o cineasta da alma, eu diria que é da consciência.
E sem mais delongas, caso estejam interessadas (isto de eu pensar que escrevo para alguém… vai dar de mim em louco), o meu filme favorito de Bergman está carregado de moças em lágrimas e suspiros.